INFÂNCIA PLATAFORMIZADA E HIPERMEDICALIZADA: IMPACTOS NA RELAÇÃO PEDAGÓGICA E NA FORMAÇÃO DO SUJEITO
Resumo
A contemporaneidade assiste a uma mutação sem precedentes no conceito de infância. O que antes era resguardado pelo véu da privacidade e pelo tempo lento do amadurecimento, hoje é lançado precocemente na arena do espetáculo público e da monetização digital. Este artigo propõe uma análise densa e necessária sobre a convergência de quatro fenômenos que não apenas transformam a vivência infantil, mas corrompem as bases da relação pedagógica: o sharenting , a erotização estética, a patologização da agitação natural e a terceirização do afeto mediada por telas. Ao longo desta obra, o leitor é convidado a confrontar o paradoxo da “era da conexão”: enquanto as redes sociais prometem visibilidade, a subjetividade da criança é silenciada em prol de algoritmos. O texto não se furta a debater temas áridos, como a “indústria do laudo” e a perversão do conceito de equidade, frequentemente utilizado como salvo-conduto para a desresponsabilização educativa. Ancorado em referenciais teóricos que vão de Vygotsky e Piaget à sociologia do desvio de Howard Becker, Michel Desmurget descrevendo a normalização da patologia comportamental, bem como, a modernidade líquida de Bauman e à filosofia crítica de Byung-Chul Han, este trabalho posiciona o professor não como um mero executor de plataformas digitais, mas como o último baluarte da mediação humana e da resistência contra a “escuridão. pedagógica" da inteligência artificial desregulada. É, antes de tudo, um chamado à virtude e à retomada da autoridade ética no ato de educar.
Palavras-chave
formação de professores